( 18 novembre, 2010 )

Tabula Rasa II

Estou vazio… nesse exato momento estou vazio e nem sangrar mais eu consigo. É tão sei lá isso tudo de parar para pensar e sacar que o pensar é a parte menos parada que há que eu me pergunto se haveria alguma chance de frutificar em algodões docês todas essas escolhas insanas que aqui me fazem estar e, não por menos, aqui me fazem pagar os pecados da fraqueza humana em série acumulados desde Adão e agora esparramados frente a meus pés. Não costumo escrever desta forma, mas quem se importa? A verdade é que houve uma época de minha juventude que eu enxergava a beleza no sofrimento e hoje simplesmente não funciona mais assim… acontece que o sofrimento, seja da espécie que for, parece-me ainda sim um tanto quanto inspirador devido ao seu poder de criação de caos… mas não é nele e sim dele que sai o leite. É isso o que eu penso se eu penso. Tantas coisas acontecendo, tudo mudando, tudo distorcido… eu realmente não gosto de escrever textos em formato « blog pessoal » e é isso o que está saindo aqui…

Para resumir a engronha, lembra que Tabula Rasa é o estado vazio de ideias e conhecimentos na qual que se encontra o ser humano ao nascer? Penso então: se retornei a esta origem, como supracitado, no sentido mais alegórico que a expressão possa ter, então é possível que tenhamos mais um ciclo fechado… encerra-se um ciclo, encerra-se o blog. Encerra-se mais um blog sob a eterna sombra de um certo vazio alucinante.

Marcelo F.

( 14 juillet, 2010 )

Cântico pela consciência da auto-extinção

Me insistem lastreados os sons paridos
na perdição deixada pelas patas felinas de uma intenção sem delongas nem sangre repartido.
Marcas de uma parede réplica ao suor da suja
insanidade imunda dos delírios libertados ainda que de nós mesmo seja essa eterna fuga.

Quanto valor é mais valia valium? (repete oito vezes)

Sem lampejos piscares nervosos automáticos nem realejos às poças dos intervalos vazios ecoam elas roucas de vodka espalhada pelo chão, tal qual as cores desse nada desenhado sob olhos turvos e drogados e cansados de outro dia…

Quanto valor é mais valia valium nesse coração pulsante, pilsen e lamentável enlouquecido
que não consegue parar de bater num destoar devorador e francamente, ainda seremos todos desfibrilados pelo nosso próprio veneno. Basta que surjam as primeiras promessas e agarramos as rendas mais sedutoras… espécie modificadora.

Vírus que ama, chama – substantivo ou imperativo?

Havendo verdade resida na nobre consciência da auto-extinção ou então, ainda sem resposta, no insano de tão alta frequência Quanto valor é mais valia valiun…

( 1 juin, 2010 )

projeto x [uma revelação]

E de repente, um menestrel subiu nas pedras da praça central para cantar a fantástica história de Bháis Crann que para ser compreendida precisa-se estar ouvindo Tom Waits, assim dizendo:

preza fácil da falta de janelas, jovem que olha para as nuvens imaginadas, um tremor e então o fim de uma paz forjada

Aconteceu depois de décadas da imobilidade incomunicável. Moveu-se por uma falha natural e saiu arranhando as paredes esquecidas daquele velho quarto escuro e moforento que guardava o vazio alucinante de uma vida bem vivida, vida que não havia acabado mas que escorria como um choro de Maria acompanhado de um piano triste e perverso de timbres de Alice. Sua insanidade estrutural compensava qualquer forma de apresentação ao banhar-se sob o olhar curioso dos homens com seus ternos escuros e das mulheres com seus chales europeus de centenas de francos franceses. O tango triste da cidade novamente era álibi de seu não precisar fingir, amar ou mentir, e dessa forma seguia tentando recuperar a escassa humanidade que sentiu certo dia entre sorrisos e taças de vinho chileno numa tarde fria pampeana. Mas afinal, quem era e porque queria? Novamente a dúvida que não desgrudava de sua sombra e a cada poste cruzado retornava naquela imagem a questionar algum sentido. Rodou meio mundo fugindo de tudo: naufragou em mar aberto, ultrapassou os maiores montes, bebeu dos melhores barris, comeu as mais aromáticas flores, olhou para horizontes infinitos que misturavam céu e terra numa combinação pálida envelhecida, escutou as mais intrigantes combinações sonoras e, extasiado com o que sentia, nem sentiu que esquecera do sentido.

outra vez preso em seu paradoxo, criou raízes e fixou-se numa terra esquecida onde nem mesmo os corvos lembram de bicar seu ventre abandonado noutro quarto pouco mal iluminado…

( 26 mai, 2010 )

projeto x [interlúdio]

………

………………

…………………………

……

……

……

……

…………………………

…………………………

( 26 mai, 2010 )

projeto x [cena 02]

chocolate wine flavor

vino sabor chocolate

borkóstoló csokoládé (alguma linguas parecem que nem existem)

( 26 mai, 2010 )

projeto x [cena 01]

ninguém à nave nessa josca porque nem mesmo eu sei se estou, entre risadas gaitadas e aplausos e alegria alucinada contidas no copo do vinho sobre a mesa que porta essas caixas de som de onde brotam essas vozes que me fazem já não saber se eu estava lá ou aqui ou não sei.

( 21 mai, 2010 )

A América Latina não é só mambo, cumbia e samba

E este é o texto de 20 de maio. Coluna Zero Grama em @OManualClassico.

A América Latina não é só mambo, cumbia e samba dans divagações 249

Hoje serei curto e breve!

É que estes primeiros dias frios de 2010 me estão sendo embalados pelas milongas de Vitor Ramil… ótimo músico o Vitor Ramil.

Mas não é só isso, che. Digamos que esse clima e essa música estão me fazendo sentir, pela primeira vez, uma identificação com algo parecido com a cultura da gaudéria. Não tem nada a ver com CTGs ou bairrismo ou coisas do tipo, mas sim com uma sensação de pertencimento à vida do frio, do campo que eu nunca vivi, da força nas lutas que travei. Pertencimento à essa ímpar introspecção latino-americana compartilhada nessas bandas do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, e que só deve existir de tal forma por aqui…

Então, sem querer fazer apologia à pirataria, eu sugiro que tu vá no 4shared e baixe o álbum « A estética do Frio », e depois o último lançado por ele, o « Delibab » (a capa é a imagem acima).

( 21 mai, 2010 )

fim

Se desmanchou até os dedos do pé a vaidade que cobria meus olhos sangrentos e deixou afoito e descafeinado o cara que estava ali para caminhar na mesma rua curtindo as árvores vencidas por uma profundidade de nível energético enfeitado de mártir da besta das vigílias autoconhecedoras do introspécto que se fecha como a implosão do sentimento que finge querer fechar giro eu ah, ahaaaaaaaaah… Someone to open each and every door. fim

( 19 mai, 2010 )

Marcha da Maconha

Material publicado no dia 12 de maio na Zero Grama, minha coluna em @OManualClassico.

Nesta semana, excepcionalmente, a Zero Grama sai na quarta-feira.

Sábado passado, registrei em audio a Marcha da Maconha 2010 de Porto Alegre. O tema é polêmico, então dá o play e faz a tua reflexão.

Image de prévisualisation YouTube

Conheça o site do Princípio Ativo, coletivo organizador da marcha, em http://www.principioativo.org/

( 11 mai, 2010 )

R.I.P. palavras

Mais um texto para a Zero Grama, minha contribuição semanal no blog O Manual Clássico

§

Semana passada, li um artigo do antropólogo argentino Nestor García Canclini, na qual ele problematiza uma questão que, senão pertinente, é no mínimo interessante nesse mundo de transformações atropeladas.

Em « De qué hablamos quando hablamos de resistencia », Canclini escreve sobre a falta de problematização sobre o atual significado da palavra « resistência ». Tem todo um contexto que não vem ao caso aqui. O fato é que, num trecho, assim ele discorre: « Como ocurre con cualquier otro término, su sentido se constituye no en sí mismo ni manteniendo autoritariamente lo que su raíz prescribe sino articulándose con otros conceptos. »

Acontece que, neste mesmo dia, pouco antes de encontrar o artigo, caminhava eu pelo centro de Porto Alegre pensando na mudança do significado de algumas palavras ao longo de tempo. E penasava que a ideia de colocar o nome de tecnologias ultrapassadas em bairros nas cidades é uma boa solução para não deixar que a palavra desapareça após sua morte utilitária. Azenha e Moinho de Vento são bons exemplos de palavras que hoje podem parecer apenas nome de bairro para o portoalegrense, mas que um dia denominavam equipamentos hoje substituídos pelo motor.

E foi então que eu me perguntei: quando teremos um bairro chamado « Disquete »? Porque está é uma palavra quase morta, assim como seriam, independentemente dos seus significados de origem, « azenha » e « moinho », se hoje elas não significassem apenas nomes de bairros por estes pagos.

123456
Page Suivante »
|